quinta-feira, 29 de abril de 2010

Anjo.

"Era uma noite diferente. O vento soprava lentamente, como se quisesse parar; a Lua brilhava tão intensamente que se faziam desnecessárias as luzes da iluminação pública; as plantas exalavam odores intensos em nuances que tornavam a noite agradabilíssima, o tipo de noite que se torna inesquecível independente do que se faça. Damian caminhava absorvendo cada detalhe daquela noite única, se preparando para o momento que definiria o seu destino, ou pelo menos a parte romântica dele. Ele seguia sozinho o trajeto que fizera várias vezes antes acompanhado da mulher que ele sonhava todos os dias havia mais ou menos uma semana, aquela que só as lembranças já o entorpeciam, aquela cujo toque era única, que o fazia suspirar a cada toque, a cada beijo, a cada simples momento que passavam juntos. Aquela que um dia partiu, sem explicações, e que agora havia retornado à cidade sem avisar à ninguém. Ficara sabendo de sua presença por uma amigo íntimo que havia vislumbrado aquela mulher em frente à um mercado da vizinhança. Ele decidiu tomar uma providência, decidiu agir pelo seu coração, pelo impulso de tentar reconquistar aquela que um dia o fez sonhar com casamento, filhos, família... Aquela que o fez pensar num futuro de verdade, num futuro que ele alcançara sem ela, aquela que o assombrava todas as noites em sonhos entorpecentes aonde ele se via de novo ao lado dela, acariciando-a, beijando-a... Ele alcançou o portão aonde parava praticamente todas as noites há uns anos atrás para deixá-la na segurança de sua casa, quando ele sempre sentia um aperto no coração pelo simples fato de deixá-la por algumas horas, doía cada momento que ele passava longe daquela que o fazia feliz.
toc...toc...toc...
Três toques na porta, e cada segundo que se passou dali em diante parecia 2 vezes mais lento, dobrando a intensidade de cada sentimento.
A porta se abriu, revelando aqueles olhos em que ele se perdia todas as vezes que olhava, aqueles que o entorpeciam e enlouqueciam em todos os momentos, aqueles que o deixavam sem ação em certos momentos, como esse.
- Damian !? É você mesmo?
Damian não sabia o que falar, ficara pedido na doçura daquela voz...
- Sim, sou eu... Anjo.
O sorriso que apareceu a seguir no rosto de Elizabeth simplesmente acabou com ele, só agora que conseguira desvencilhar sua atenção dos lábios de Elizabeth, ou Anjo como preferia chamá-la, conseguia perceber que alguns anos longe dela só fizeram deixá-lo mais apaixonado. Ele se perdia em cada detalhe daquela mulher que estava parada à sua frente: os cabelos cacheados caindo caprichosamente no rosto, realçando os olhos castanhos penetrantes e os lábios que, embora finos, o deixavam embriagado. Reparava que a luz que emanava de alguma lâmpada atrás dela realçava a pele dela de uma maneira que a fazia parecer um ser luminoso, que enfraquecia qualquer luz ao seu redor, fazendo resplandecer a sua, que deixava todos ao seu redor presos naquela luz única que alegrava qualquer lugar aonde ela se encontrasse.
- O que lhe traz à minha humilde residência, Sr. Owen?
"Nossa, nunca ouvi meu nome ser pronunciado de maneira tão perfeita, mas também, saindo desses lábios, produzido por esse corpo..." Damian pensava em dizer aquelas palavras, mas não podia se entregar tão facilmente, 4 anos após a conclusão do ensino médio tinham que ter fortalecido a sua força de vontade. Ou pelo menos era o que Damian preferia pensar.
- O que acha? Com certeza não foi pra vender biscoitos.
Ela riu, fazendo os pelos do braço de Damian se arrepiarem com o rido que só poderia ser de um anjo mesmo, pois o fazia feliz em qualquer circunstância.
- Entre por favor.
- Com licença. - Damian adentrou a casa onde estivera apenas uma vez, e for uma tarde inesquecível.
- Então Damian, o que você veio fazer aqui à essa hora da noite...
- Só confirmar minhas suspeitas, cara Elizabeth.
- Que suspeitas?
- De que você havia voltado pra cidade.
- E porquê esse interesse todo na minha presença?
- Antes de responder à sua pergunta, vou lhe fazer uma: Há quanto tempo está na cidade?
- Umas 3 semanas, mas o que isso tem à ver com a sua visita?
- Fazem exatamente três semanas que venho sonhando com você.
- Hã?!?! como assim?
- Isso mesmo que você ouviu. E desde então não tenho deixado pensar em você, nos momentos que passamos juntos, nos momentos de felicidade, e então acabo com um rombo no estômago quando lembro do dia em que soube que a mulher que eu amava sumira do mapa, sem deixar nenhum, nenhum, vestígio, carta de despedida ou algo do gênero. Faz uns dois dias soube por um amigo meu que você tinha voltado à cidade, nesses dois dias os sonhos foram mais intensos, mais fortes, tão luxuriantes que me fizeram acordar em poças de suor, e uma mistura de raiva e saudade, revolta e paixão me forçaram a vir aqui essa noite...
Damian sentiu que havia falado demais, afinal, não era pra soltar todas as suas emoções em um único momento, mas se sentia aliviado. Sentia que o buraco que havia se formado dentro dele há 4 anos se cicatrizara naquele momento, sentia que finalmente havia se livrado do ácido que o corroía internamente a cada dia, fazendo com que cada ferida formada em seu íntimo doesse intensamente. Havia preparado o discurso desde que soubera do retorno de Elizabeth, pontuando cada detalhe da revolta que ele sentiu com sua partida, cada momento de raiva... mas seu discurso simplesmente se desmantelou ao olhar para aquela que um dia ele chamou de "meu amor".
- Hum... só isso? - O tom de voz sarcástico de Elizabeth fez Damian enlouquecer.
- Só isso?? Você some por 4 anos, deixa pra trás tudo: trabalho, escola, um namorado com um par de alianças na mão e quando volta tem a cara de pau de me dizer "só isso"?!?!?!
- Relaxa amor, pára de gritar, senta e me escuta.
A menção da palavra "amor" por Elizabeth pareceu estuporar todos os sentidos de Damian, deixando-o completamente desnorteado, tão desnorteado que acabou obedecendo o que ela acabara de falar.
- Nunca foi esclarecida a minha partida, então vou explicar agora. Surgiu uma proposta de trabalho irrecusável em um lugar incrível pra mim. Eu fui com a certeza de que poderia voltar rápido. Mas me envolvi demais com algumas coisas lá e acabei me arrependendo. Voltei pra cidade, estava me organizando e procurando a galera da nossa turma, mas não achei ninguém além de você, e não sabia se teria coragem de falar com você. Acredite, é tão difícil pra mim quanto é pra você. Não pense que foi fácil fazer o que eu fiz.
- Nunca imaginei que tivesse sido fácil anjo, mas nenhuma explicação, nenhuma carta, nenhum adeus... porquê?
- Não fui mulher o bastante pra falar com você pessoalmente, e você não merecia um simples bilhete.
Damian escutava atentamente, mas sabendo que aquilo não bastaria pra fazê-lo esquecer os 4 anos que vivera sem ela.
- Nada disso que você me disse faz real sentido, mas você sabe que vou acreditar no que está dizendo. Foram 4 anos torturantes, tentando esquecer da sua lembrança, de tudo que envolvia você, mas já era tarde, minha vida é você.
- Eu sei disso, e isso me incomoda, afinal, não sei o que eu quero, a não ser que você ainda me deixa meio sem saber o que fazer.
- Você sabe que eu faço tudo por você.
- Mas eu não sei se quero isso, não quero que você faça nada precipitado.
- Mas nada que eu faça por você pode ser errado anjo, eu te amo e é isso...
- É ISSO QUE ME TIRA O SONO TODAS AS NOITES - Elizabeth chorava, Damian chegara no ponto que ela queria evitar desde o início, o amor que existia entre eles. - Não sei se é isso que você merece, não sei se é isso que eu mereço...
- Ok. Não vou mais opinar no que você quer. Você já é uma mulher, sabe muito bem o que faz, e já é crescida o bastante pra aguentar as consequências.
Damian desistira de insistir no assunto, por enquanto. Sabia que pressioná-la era a coisa errada à se fazer. Então decidiu...
- Lembre-se apenas que eu te amo. Não são meras palavras, não é apenas um sentimento... é uma coisa que me consome por dentro, define todas as minhas ações, pensamentos, opiniões, escolhas, é um sentimento sem medidas, sem grandezas, sem noção, sem medo... é tudo que eu preciso pra viver e tudo que faz da minha vida única.
Damian a conhecia muito bem, sabia que suas palavras haviam surtido efeito, sabia que ela estava sem saber o que fazer e sabia que devia encerrar aquela noite de uma maneira que a faria realmente ser única... Aproximou-se lentamente, gradativamente e cuidadosamente de Elizabeth. Passou sua mão pela nuca dela, sabia que isso ainda devia entorpecê-la, e acertou. Segurou firmemente e sentiu aquela que era a única sensação que fazia com que ele fechasse os olhos e viajasse. Sentiu seus lábios tocando o dela fracamente, pois evitava "forçar a barra", simples medo de ser rejeitado. Havia se enganado. Ela o puxou pela nuca e forçou os lábios contra o dele, aquele beijo quebrou todas as barreiras possíveis, inclusive a do espaço-tempo, pois parecia que tudo, mundo, pessoas, tempo, som, tudo havia parado naquele momento e só existiam eles dois...
Damian se soltou das mão de Elizabeth, apesar de todos os seus orgãos e sentidos apelarem pra que isso não acontecesse. Olhou nos olhos que o enlouqueciam e conseguiu, com muito esforço, falar o que pensava...
- Espero que isso ajude em sua decisão.
Damian se levantou e saiu, deixando Elizabeth com apenas uma certeza: Ela o amava."

A continuação vai depender do que acontecer por esses dias...
[baseado em fatos reais, ou não]

terça-feira, 20 de abril de 2010

Se o Amor...

- Fosse descrito em palavras : Não haveriam palavras suficientes para descrever o seu significado.
- Fosse cantado em música : Não haveriam notas suficientes para compor sua melodia.
- Fosse pintado em quadros : Não haveriam cores suficientes para expressar sua intensidade.
- Fosse representado em escultura : Não haveria forma ou tamanho suficiente para emoldurá-lo.

Se o amor fosse para ser representado acho que não haveria palavra, música, imagem, escultura, nem nada que pudesse representá-lo, pois o amor é algo complexo demais. É algo que surge, na maioria das vezes, de uma admiração, de uma forte amizade, de um carinho especial, de várias coisas que acontecem com o tempo, ou não...
O amor pode surgir de uma simples troca de olhares, de uma palavra de carinho num momento difícil, de uma brincadeira, cara, o amor pode surgir de uma briga!
Ele vem de várias formas, e também pode existir de várias formas. Pode existir (e existem, experiência própria) o amor Paterno/Materno, amor de irmão (ã), amor de primo, Avôs/Avós, tios e tias, a tal da "amizade colorida" também é amor, sabia?? Tem o amor de amigo, que é aquela amizade fortíssima, tão forte que lá no fundo você sabe que faria tudo por aquele maluco do seu amigo. Tem o amor de namorados/noivos/casados, que é aonde empregamos com maior freqüência o termo "Amor".
Independente de "como venha" ou de "qual tipo" seja, amor é sempre amor.
Amar não é tarefa fácil (Claro que isso não é "comprovado científicamente" ou algo do gênero, é a simples opinião de um cara que se declara um "amante" assumido). Amar é entregar-se um ao outro; é confiar a sua vida na mão de outra pessoa; é saber que agora a sua vida não é mais só sua, saber que a sua escolha afeta outra (s) pessoa (s); é saber que tudo aquilo que você achava doideira pode não ser tanta doideira assim, depende só do ponto de vista; é saber completar o outro sem dominação ou submissão. É saber que existem TPM's (que pra mim não é só "pré", mas sim "pré, durante e prós") e "stress com o serviço" que nós temos que compreender, aceitar, aguentar, e acima de tudo tentar melhorar, ou não piorar. É esperar que ele repare no seu novo corte de cabelo e ele reparando ou não você continuar agindo da mesma maneira, afinal, são 23:45 da noite e ele se ferrou de trabalhar. É esperar um elogio dela, seja lá o que você tiver feito, e nem ligar se ela não falar nada. É aceitar desculpas do gênero: "Estou com dor de cabeça" ou "vou sair mais tarde do trabalho" , mesmo quando você sabe que isso não passa de uma desculpa esfarrapada, e ao invés de gritar e brigar por isso, sentar e conversar. É aguentar sogro, sogra, cunhado (a), aquele "Amigão" do seu amor que você não suporta.
O amor é um sentimento único, na verdade, o amor é um mix de sentimentos, estilo salada de frutas, onde um sabor complementa o outro e no final temos um sabor único na sobremesa. É uma mistura de carinho, amizade, paixão, companheirismo, cumplicidade, tesão (é claro, se você não se sente "atraído" pelo seu par acho que não é completo, né?!) e alguns outros sentimentos e alguns outros sentimentos, cada sentimento em uma determinada dose e quantidade, fazendo com que o amor seja único em cada caso, mas isso não muda o fato de que todo amor nos gera os mesmos sintomas: olhos brilhando ao olhar para a pessoa amada (estilo emoticon do MSN mesmo.), excesso de pensamentos sobre quem se ama, saudades agudas a cada 30 seg. longe da pessoa, necessidade extrema de contato físico com a pessoa amada, e em alguns casos (como os meus) aumento nas contas da light e da telemar por motivos que são meio óbvios, eu acho.
Dizem que amor de verdade só se sente uma vez... na minha opinião isso não passa de grande mentira! Senão como amaríamos nossos amigos e parentes de uma vez, enquanto ainda amamos nossos companheiros? Muitos vão dizer "É coisa diferente", mas me digam: Se você AMA seu irmão (ã) e também AMA o seu companheiro o que você faria por um que não faria pelo outro? Se jogar na frente de um ônibus? Virar a noite com ele se ele estiver doente? Dar um abraço num momento difícil? E pelos seus amigos, faria o mesmo?
É claro que existem as confusões entre amor de amigo, tesão, e amor "propriamente dito", pois todos são muito fortes e com características em comum (e com o perdão da redundância volto a falar que "os amores" são iguais em intensidades diferentes) podendo levar um ser humano ao equívoco. Mas esses equívocos nem sempre são ruins, depende da sua atitude ao descobrir que é um equivoco. Eu tive umas confusões dessas e hoje em dia tenho grandes e fortes amizades graças à elas.
Mas enfim, foram meras palavras de alguém que ama intensamente, afinal...
Amar é viver!