domingo, 9 de maio de 2010

Buquê de Flores (2ª Parte de "Anjo")

Elisabeth retornava de novo serviço. Era seu 1º dia no emprego, que era "multifuncional" para ela, afinal, não só lhe dava sustento, mas também distração.
Haviam alguns dias desde que Damian haviam passado em sua casa, talvez 4, talvez 5, Elizabeth não tinha certeza, os detalhes daquele dia ainda estavam gravados em sua mente, presos em sua pele, estampados em seus olhos. Ela estava cansada, porém satisfeita. Afinal, o trabalho havia cumprido ambas as funções, sabia que era a única maneira de esquecer de Damian: se entupindo de tarefas. Havia conseguido passar o dia inteiro sem pensar em Damian. O dia.
Assim que Elisabeth bateu a cabeça no travesseiro seus sonhos foram inundados por Damian. Parecia que ele estava ao seu lado, a afagar-lhe o cabelo, a sussurrar juras de amor em seu ouvido, a abraçar seu corpo. Todas essas sensações só faziam com que o sono demorasse mais. Quando o sono veio, Elisabeth sentiu Damian mordiscando a sua orelha, da maneira que só ele fazia, aquilo era tão intenso, tão real, que ela virou-se para beijá-lo. Ao perceber que seu coração lhe pregara uma peça tentou dormir novamente, mas não conseguiu. O vazio que a dominava impedia que o sono a consumisse.
O dia seguinte começou mecanicamente. Banho, carro, caminho, Elisabeth só "acordou" na porta da agência onde era seu novo emprego. Não sabia se a sensação de vazio que tomava seu corpo era falta de um café-da-manhã ou de Damian, mas acabou chegando à conclusão de que os dois juntos não era nada legal. Aquele seria outro dia de trabalho normal.
Não, definitivamente não era um dia normal! Se fosse não haveriam Rosas brancas e amarelas, Lírios e margaridas num lindo buquê de flores.
- O que...? Hã?!
- Chegou faz uns 10 minutos, Beth. O entregador disse que era pra você, mandei ele deixar aí... Ah, você me deve 5 pratas da gorjeta. - Taylor, a japinha da mesa ao lado. Era super simpática, contudo meio bipolar. Elisabeth gostou dela, haviam se dado bem.
- Hum... brigado Taylor, depois te dou a grana.
- Relaxa amiga, eu esqueço do dinheiro se souber quem mandou. - Elisabeth riu com os olhinhos brilhantes e curiosos de Taylor - O cartão tá embaixo do buquê, me segurei pra não abrir.
Elisabeth reparou em um pequeno envelope branco embaixo do buquê, também que no buquê não haviam Rosas vermelhas, as suas preferidas, no buquê. Mas, peraí...
Aonde deveria estar o selo no envelope havia um desenho conhecido dela, ou melhor, um desenho dela. Duas asas e uma auréola, sua marca registrada no ensino médio, na época que... "Damian". Pensou logo.
Suas suspeitas se confirmaram ao abrir o envelope, a letra arredondada e bem definida em itálico era impossível. de esquecer. Era Damian, e de repente o buraco em seu estômago pareceu cicatrizar.
Elisabeth,
Sei que não deveria incomodá-la, mas não consigo parar de pensar em você desde o nosso último encontro. Queria Vê-la de novo. Vou estar na praça, na nossa praça, durante a tarde, me encontra lá? Sei que você ainda tem (ou dá um jeito de arrumar) o meu telefone, se quiser me liga. Ah, parabéns pelo novo emprego.
Beijos, Damian.

P.S.: As suas Rosas vermelhas lhe aguardam em casa.

Elisabeth sorria. Se sentia feliz por Damian também pensar nela, sentia-se completa com aquele convite, era uma sensação ótima. Mas sua razão, sua parte "não-sentimental" estava aos berros, reclamando intensamente: "De novo não! Não caia em tentação! Não se apaixone de novo!"

Continua no próximo episódio...

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